Veganismo, Consumo e Impacto Social

veganismo, consumo e impacto social positivo

A greve dos caminhoneiros (e o consequente desabastecimento) trouxe muitos reflexos em todo o Brasil, que são assistidos e repercutidos nas mais diferentes mídias. E entre tantos casos, também toca o coração das pessoas a situação dos animais nos criadouros, que passam fome. Outro fato que as filmagens revelam são os espaços apertados que esses animais vivem e as condições de criação.

E se você que está lendo esse texto sentiu-se tocado pela situação dos animais, saiba que não está sozinho! O número de pessoas que se preocupam com a criação dos animais é crescente. Prova disso é a expansão do veganismo e de itens livres de crueldade animal em seu processo de produção.

Diferença entre vegano e vegetarianos

Diferença entre vegano e vegetariano e suas perspectivas de consumo com produtos animais.

Veganismo no Brasil e no Mundo

Para ilustrar esse crescimento, podemos pegar o dado recente do IBOPE Inteligência: O número de vegetarianos no Brasil supera a população da Austrália e Nova Zelândia somados, chegando a 30 milhões de brasileiros (14% da população). Nas principais regiões metropolitanas o número de vegetarianos dobrou desde 2012, de 8% para 16% da população.

Esses números levam a uma expectativa de crescimento de 25% a 40% da venda de produtos veganos, livres de produtos animais.

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Essa tendência não é vista só no Brasil. Estudo do Instituto Harris Interactive mostra que 48% da população dos EUA consome pelo menos 1 refeição vegetariana na semana. O mesmo está acontecendo com o resto do mundo, olhando números do Google Trens podemos ver que nos últimos 5 anos a busca por termos como “vegan recipes” e “vegan product” cresceu muito. O mesmo para os termos equivalentes em português. É um fenômeno de consumo!

Buscas por Vegan no Google

Buscas por Vegan Recipes e Vegan Product no Google cresceram de 2013 à 2018, mostrando a busca crescente.

Veganismo e o Consumo

Apesar de ser um movimento famoso pelos reflexos na alimentação, o veganismo se espalha para outras áreas do consumo: cosméticos que não são testados em animais e roupas sem couro ou lã animal são cada vez mais procurados. Isso mostra a elasticidade do mercado e o potencial de crescimento, mas vai muito além disso e reflete um importante aspecto de consumo.

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O veganismo é um movimento fortalecido pelos Millennials: segundo o The New York Times cerca de 12% da geração é vegana. Esse é um reflexo desse grupo e sua preocupação com os hábitos de consumo e impacto social, que transmitem a mesma percepção para outras gerações. De certa forma, o veganismo faz parte do mesmo pensamento que leva consumidores a boicotarem marcas por usarem mão de obra escrava. Tão importante quanto o que consumimos é a origem do produto.

Leia também: Millennials e o Impacto Social através do Varejo

Isso fica ainda mais claro quando olhamos os dados da pesquisa do Instituto Harris Interactive citada anteriormente, os dois principais motivos para a adoção do vegetarianismo estão muito mais ligados ao impacto causado pelo consumo, o primeiro deles é a preocupação com o bem-estar dos animais e o segundo é o impacto ambiental da criação de animais. A alimentação mais saudável é citada apenas como o terceiro aspecto.

Reforçando essa percepção, ainda temos o crescimento dos produtos chamados “livres de crueldade animal” e “cage free” (livre de gaiolas, em tradução literal). Aqui o consumo de produtos animais se mantem, mas a qualidade de vida oferecida aos animais é um aspecto importante do mercado: livres de gaiolas, sem antibióticos ou hormônios em sua dieta e com necessidades sociais atendidas. Basicamente são animais tratados como vidas e não como máquinas de produção.

Veganismo e o Impacto Social

Tanto produtos veganos quanto os itens “livres de crueldade animal” são mais caros que seu equivalente “comum”, o que mostra que os consumidores atuais não estão mais colocando o preço a frente do impacto social. Esse traço de consumo se propaga para outros campos além da alimentação, as pessoas estão dispostas a pagar mais caro por produtos que geram impacto social positivo, seja em seus meios de produção ou dividindo seu lucro com a sociedade.

Quanto as empresas, cabe como missão observarem a importância social de seus negócios e produtos, sabendo que aliar-se a causas sociais e trazer um impacto positivo valoriza sua marca e aproxima negócios de consumidores, mesmo que isso tenha reflexo em preços mais altos.

Fica como lição que o pensamento crescente do consumidor é que sendo bom para o mundo e respeitoso com a vida, vale a compra.