Me pediram pra escrever sobre esperança para 2019….

Quando decidimos lançar o Polen, empreendedorismo com impacto social era algo muito embrionário. Pouquíssimas empresas queriam o risco de ser uma startup de impacto e pouquíssimas aceleradoras queriam (ou conseguiam) assumir a difícil tarefa de levar uma startup de impacto pra frente. Quem começou lá em 2014 deve concordar comigo, olhar pra todos esses programas que tem uma área de impacto hoje e pensar “putz se tivesse isso quando eu comecei talvez não tivesse sido tão difícil”.

Mesmo assim, quem começou lá enxergava uma tendência. Via que as pessoas estavam cada vez mais conscientes, vigilantes e preocupadas com o futuro da população, do planeta e, claro, das nossas vidas. Parece que uma boa parcela da humanidade enfim percebeu que precisamos agir e não ficar esperando a mudança. Gosto de acreditar que uma das ferramentas catalisadoras dessa “tomada de consciência” foi a tecnologia.

Quando eu digo a tecnologia, eu quero dizer os efeitos que ela trouxe para todos os aspectos da nossa vida. Através da internet, podemos nos conectar com o outro lado do mundo da mesma maneira do que com o bairro vizinho e isso nos mostrou que o que acontece do lado de lá também é problema meu, porque eu sou humano e o outro também. Incomoda cada vez mais saber que tem mais 800 milhões de pessoas passando fome no mundo e que 1,3 bilhão de toneladas de comida são desperdiçadas diariamente. Temos carros autônomos nas ruas, um deles voando no espaço e ainda não conseguimos resolver os problemas mais básicos para a sobrevivência humana.

Isso me incomoda a ponto de mudar escolhas de vida por uma tentativa de transformar pelo menos um pouco dessa realidade. E o que me dá esperança não só pra 2019, mas pro futuro de verdade, é ver que eu não estou sozinha. Iniciativas como Global Shapers, Sistema B, Capitalismo Consciente, entre várias outras me fazem ver que muita gente já acordou e não vai ficar parada. Pessoas que estão dedicando as suas vidas pra resolver problemas de outras pessoas não somente com uma visão “vou vender”, mas sim com “vamos resolver” me fazem realmente acreditar que a empatia está começando a vencer.

Levei praticamente um tapa na cara vendo a ação rápida de startups com a tragédia ambiental de Brumadinho, na sexta feira. Em um super modelo Lean Startup, associações convocaram startups e pessoas especialistas em áreas que poderiam ajudar as vítimas (mapeamento geográfico, drones, análise de imagens, enfim). E em poucos minutos os grupos estavam LOTADOS de profissionais preparados para dedicar seu tempo a isso, nessa hora não importou a máxima do foco do empreendedor, que ele precisa trabalhar 30 horas por dia pra atingir o objetivo. Nada foi mais importante do que o impacto nesse momento, hoje são mais de 1500 pessoas nesses grupos, de diversas empresas e startups apoiando o desenvolvimento dessas tecnologias ou simplesmente entregando o uso do que já tinham desenvolvido para apoiar as buscas. Mas e a patente dessas tecnologias? Patente? O que é patente perto de mais de 300 desaparecidos em meio à lama? A humanidade venceu o código dessa vez.

O que é mais bonito, é ver a sociedade usando a tecnologia em busca de mais humanidade, respeito, igualdade. Posso afirmar com muita certeza que mais de 50% dos clientes do Polen, quando começou a usar nossa tecnologia e estratégia falou algo como “Nossa, eu já estava querendo fazer algo assim, doar parte das minhas vendas mas não sabia como.” ou então “Cara eu tenho um projeto como esse no papel mas não conseguia tirar por falta de tempo (ou qualquer outro motivo)” . É exatamente por isso que a gente nasceu, pra facilitar que qualquer empresa tenha impacto sem precisar se preocupar com desenvolvimento, transparência ou métrica de negócio porque a gente já usou a tecnologia pra resolver tudo isso.

Já ta pronto aqui, é só escolher sua causa e colocar no site.

Fico feliz em dizer que em parceria com cada cliente que doa parte de seus lucros usando o Polen, já doamos mais de R$200mil reais que teriam ficado no banco. E a previsão pra 2019 é multiplicar esse número cada vez mais, impactar cada vez mais ONGs, Causas e principalmente, lá na ponta, Pessoas.

Essa é a nossa esperança pra 2019, que cada vez mais possamos nos dedicar ao seu verdadeiro impacto. Que a gente possa usar nossa capacidade, nosso propósito para evoluir e resolver nossos problemas mais urgentes. Por enquanto, acho que estamos indo pelo caminho certo.